quinta-feira, 14 de setembro de 2017

UM BANHO DE LEMBRANÇAS (*)

                              

(*)
Germano Gouveia Romero, natural da capital paraibana, é graduado em Arquitetura e Urbanismo e Bacharel em Música.
A sua bem sucedida atividade de arquiteto, assinando projetos pelo país inteiro, não tem o condão de lhe afastar de outro segmento da arte, a escrita.
Há mais de 10 anos, iniciou sua atuação como colaborador de vários jornais da cidade e ainda hoje assina colunas semanais no jornal Correio da Paraíba e A União, na revista bimestral Tribuna Espírita, além de manter colunas em portais e revistas digitais como Abelardo.com e a Revista D&A.
Como hobby desenvolveu atividades nas Artes plásticas (pintura), tendo participado de exposição coletiva na Galeria Archidy Picado.
Outra atividade que exerce com muita frequência é a de “globe trotter” com frequentes viagens já empreendidas nos cinco continentes, em mais de 30 países, incluindo Rússia, Grécia, Egito, Turquia, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Participou como apresentador do quadro “Parada Obrigatória”, no programa “Cá Entre Nós”, durante 2 anos na TV Master, e atualmente, há um ano, em cartaz na RCTV.
Integrou no biênio 2009/2010 o Conselho Diretor da Fundação Espaço Cultural José Lins do Rêgo.
O blog http://percepcoesreais.blogspot.com.br/, por sua titular, agradece a Germano a  cessão desse artigo lindo e emocionado por ele escrito.



                            


O chuveiro elétrico do nosso banheiro queimou. Apesar de gostar de frio e chuva, não sou dado a banhos frios, vá entender...O jeito foi usar o banheiro de papai, que, há mais de 30 anos, também era de minha mãe.
Em dado momento, ao me ver dentro do box, comecei a me lembrar dela. Olhei o teto, as paredes, as pequenas flores estampadas no azulejo decorado.
Era nesse banheiro, espaçoso, que eu costumava me sentar em um banquinho, atrás do espelho, para conversar com ela, antes de dormir, olhando-a retirar a maquiagem do dia, com os cremes da noite. Em uma gaveta abaixo da bancada, dividida em quatro partes, ela guardava os utensílios de toalete, tudo muito organizado.
Quando ela partiu, visitar esses locais foi para mim uma dura lição cheia de saudades, mas rica de ensinamentos. Ficava pensando em como tudo passa...E como os objetos pessoais, que tanto julgamos nossos, ficam para trás, para outros ou para ninguém.
Daí, rememorei quantas vezes passei os olhos e as mãos por seus vestidos, sentindo-os no rosto, revivendo o seu cheiro, dedilhando objetos nas gavetas, procurando me aconchegar em sua lembrança pelo tato do carinho que sentia ao tocá-los. Quantas vezes vim aqui, olhar para os seus batons, suas escovas, os estojinhos de cílios postiços, presilhas de cabelo...
Agora estava tomando banho em seu banheiro, e, mesmo tanto tempo depois, eram tão vivas as lembranças. A água escorria por minha cabeça, os olhos percorriam as florzinhas da parede, que me lembravam as do jardim que ela tanto cultivou, nas tardes de domingo...
Estava ali  a vida passando, escoando pelo tempo, inexorável. Como a água que sumia pelo ralo, nas entranhas dos esgotos, a caminho da rua, pra de lá voltar aos rios.
E mais tarde subir ao céu, virar nuvem e desaguar pela bênção de uma chuva, no jardim ali da frente, que também foi seu um dia...


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